terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mutilaçao Genital Feminina MGF


Queridos,

Burkina Fasso esta entre os paises da Africasubsaariana que ainda pratica a Mutilaçao Genital Feminina - MGF, que consiste na retirada cirurgica do clitoris e de todo ou parte dos grandes labios vaginais.

Apesar de exisitir uma lei contra esta pratica, desde 1997, ela ainda é muito utilizada, principalmente  nos vilarejos de Burkina Fasso, e outros paises de semelhante etnias e culturas tais como: Mali, Costa do Marfim, Niger, Senegal, Bénin, Togo


A mutilaçao é geralmente feita por senhoras velhas, consideradas "sabias" dos vilarejos, e é praticada muitas vezes sem o consentimento dos pais,  e outras vezes com a ajuda dos proprios pais, no caso as maes que seguram as pernas da menina ainda bebe ou tenra idade, pra que o corte seja feito com uma pequena faquinha ou lamina de gillete.

Nao preciso dizer, que isto acarreta inumeros problemas de saude, mortalidade por infecçao, hemorragias, hemorragias no parto e também provoca dor constante no ato sexual.

Desde que estamos aqui em Burkina, ha 5 anos, nunca havia me interessado por este tema, até ver na televisao burkinense uma campanha contra a MGF, estimulando a populaçao a denunciar as "bruxas do vilarejo" como eles dizem popularmente.

Elas levam a menina ainda bebe, com a desculpa de que é pra que a familia no vilarejo conheça, e os pais que na cultura africana respeitam e nao veem problemas de deixar seus filhos naos maos de pessoas mais velhas ou parentes distantes, permitem, e quando voltam com o bebe, eles percebem que esta ferido ou entao se foi acompanhada dos pais, la mesmo eles nao conseguem impedir a cerimonia que é muito rapida e feita as escondidas.

Este tipo de tradiçao, nao é praticada na cidade, sempre as meninas sao levadas pra os vilarejos, pois se denunciadas, elas podem ir pra prisao tao logo sejam localizadas e isso fica mais dificil nos vilarejos.

Como soubemos disso? Nao foram pesquisas na internet e sim meu interesse em saber a verdade. Entrevistei informalmente, 20 mulheres de 20 à 35 anos, do meu convivio, da igreja, do curso de alfabetizaçao. PAra minha grande surpresa, 16 delas sao mutiladas! E quando eu demonstrava espanto, a maioria delas me dizia que 90 %  das mulheres do Burkina de mais de 20 anos eram cricuncidadas e que isso so começou a mudar depois da lei em 1997, mas que ainda tinham medo por suas filhas. Esses mulheres nunca sentiram prazer sexual e associam sexo à dor, pois a maioria delas tem dores fortes durante o ato sexual.  

Dentre as 4 mulheres nao mutiladas, uma delas me testemunhou dizendo que foi enviada pela tia pra outra cidade, quando desconfiou que uma visita da velha do vilage pra conhecer a menina, era uma tentativa da MGF. Ela tambem confessou que ela nao é mutilada, porém quando os nacionais perguntam, ela afirma que sim, pois as meninas nao mutiladas sao tidas como "assanhadas" ou que correm atras dos homens e podem ser mal vistas e por isso ela preferia mentir dizendo que era mutilada.

Hoje em dia, a pratica diminuiu muito, mas as
"velhas do vilarejo" que na sua cosmovisao, acreditam estar fazendo algo importante e bom pra ordem da sociedade em que vivem, tentam de varias maneiras continuar a pratica.

Dika* é uma menininha de quase um aninho, (foto acima) e sua irma mais velha Tabita* (foto abaixo) foi mutilada ainda bebe, ha quase duas decadas atras. ela quase morreu de hemorragia e os medicos locais que explicaram aos seus pais pra que nao mais permitissem tal pratica, pois isso poderia matar as meninas e trazer outros problemas.

Para a surpresa de sua mae, que teve outra menina quase 20 anos depois, ela recebe  uma visita de uma "senhora" parente de um primo distante dela, do vilarejo, interessada em conhecer a criança.

Durante a visita a velha perguntou: - Voces ja lavaram as maos da Dika?? De inicio, Tabita, nao entendeu a questao, mas com a reaçao de sua mae, que logo começou a explicar que nao faria isso na menina, ela pode entender que se tratava de uma proposta de MGF.

A senhora tentou por todos os meios de justificar a proposta, dizendo que era bom pra menina, que ela seria mais respeitada pelos homens quando moça,  entre outras crenças.
O pai de Tabita, que quase a perdeu por causa disso, logo disse a senhora pra se retirar e que ele nao permitiria isso, e que  denunciaria ela pra policia. Ela ficou nervosa e tremendo, levantou-se pra ir embora.

Este relato que ouvi domingo, me chocou, pois elas usam uma nomenclatura no dialeto, pra que nao se fale em mutilaçao, evitando denuncias. Muitas familias, que ainda nao tem acesso à TV e escola ( maioria aqui), poderiam crer nos argumentos da senhora e entregar suas filhas. A quase morte de Tabita, que salvou sua irmazinha, Dika, da MGF.

Apenas quis relatar neste email, que apesar de sermos treinados à respeitar e compreender os aspectos culturais dos povos, sabemos que por tras de praticas e tradiçoes como esta, aquele que veio pra matar, roubar e destruir, entrou nas culturas, através do pecado, trazendo morte e sofrimento.

Oremos pra que estes povo seja favorecido com Educaçao, saneamento basico, renda minima suficiente e principalmente que eles sejam favorecidos com a revelaçao do evangelho libertador de Jesus! Somos canais do Senhor neste lugar e contamos com suas oraçaoes pra vencer estas barreiras de cultura e crenças pecaminosas.


Deus te abençoe muito e abençoe a Africa!

Paula

* os nomes foram alterados.

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