Bamako, Mali – África, Julho de 2010.
"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus,
Daqueles que são chamados segundo o seu propósito" Rm 8:28
Uma semana antes de deixarmos Burkina Fasso, a palavra que o Senhor nos falou foi este versículo acima. Creio que ele estava nos preparando para o que viríamos passar, pois nossa entrada no Mali foi muito difícil.
ENTRADA NA NOVA TERRA
Saímos de Burkina no dia 09/07 (sexta-feira) as 5.30 h da manha para tentarmos chegar até Bamako por volta das 19 horas. Estávamos felizes por obedecer a Deus e ao mesmo tempo triste por ver nossa pátria, Burkina Fasso, ficar para trás. Uma nova terra nos aguardava.
O caminhão com nossa mudança estava na frente e nós seguíamos com o carro atrás. Ate a fronteira, tudo estava normal, porém bastou passarmos para o lado do Mali, as coisas começaram a complicar.
Na alfândega de Koury a policia parou o caminhão e exigiu documentos. Mostramos todos os documentos que tínhamos e eles disseram que faltavam mais documentos. Então fui falar com o policial que me orientou na ultima vez que estive nesta alfândega para lhe dizer que foram o papeis que ele me havia dito para fazer. O policial não deu a mínima atenção para o que eu falava e mandou falar com seu chefe. Mas nisso sempre tinha um "mediador", pessoa que era responsável para fazer estes papeis. Esta pessoa não tem um preço fixo, ele cobra o valor que ele quer. Ele pediu em torno de R$ 400,00 para fazer os papeis. Depois fechamos o acordo em R$ 175,00.
Com o carro fomos seguindo viagem e esperançoso que logo o caminhão nos encontrasse no caminho. Isso era por volta das 9:00h da manha. Rodamos uns 40 km e nosso carro teve problema no motor e no radiador. Arrumamos o problema e depois de 5 km ele estragou de novo. Estragou uma borracha do radiador e não jogava água no motor e o ponteiro no painel não mostrava nada. O motor super aqueceu e não funcionava. Então ficamos parados no meio da estrada, sozinhos e dificilmente passava um carro. Ficamos ali por volta de umas 5 horas entre paradas e caronas.
Ligávamos para o caminhoneiro para saber aonde estavam para poderem vir nos ajudar, mas eles ainda estavam na alfândega resolvendo os assuntos dos papeis. Como era sexta-feira, os muçulmanos têm um tempo maior de oração e de almoço e não trabalham corretamente neste dia e foi por isso que os papeis estavam ainda em andamento.
Por precaução, tínhamos uma caixa de isopor com água, biscoitos e lanches que a Paula preparou e até mesmo uma barraca levamos pois sabíamos que isso poderia acontecer, pois nosso carro não estava em boas condições de uma viagem longa. Mas revisamos e decidimos ir assim mesmo. Na estrada, como é interior de África, não é nenhum exagero dizer que não encontramos restaurantes, lanchonetes ou lugar pra se alimentar. No maximo ovos cozidos e comidas já preparadas que não costumamos comer por não saber a procedência.
Depois de horas na estrada passou uma Van e fizemos sinal para eles pararem e eles concordaram em rebocar nosso carro ate uma cidade mais próxima, Koutiala, depois de termos negociado quanto eles cobrariam pra isso. Sim, não era carona e camaradagem, era pagarmos pra sermos rebocados. Eles nos deixaram na entrada da cidade e assim o caminhoneiro poderia nos ver facilmente. Ficamos mais duas horas esperando o caminhão chegar para nos rebocar. Por volta das 17:30h o caminhão foi liberado da alfândega e seguiu viagem.
Enquanto o caminhão vinha ao nosso encontro, já era quase noite, então decidimos ir à Base da Jocum que tem nesta cidade para tomarmos banho e comermos alguma coisa. Por volta das 21h o caminhão chegou na Base rebocando o carro. Viajar a noite é muito perigoso, então decidimos ficar na Base.
Achamos melhor de na manha seguinte, pegar um ônibus para irmos direto para Bamako e deixar nosso carro com o mecânico para arrumá-lo e depois seguir viagem junto com o caminhão. Acontece que o motor do carro havia fundido e não foi possível arrumar ali de imediato. Colocaram o motor no caminhão, deixaram o carro na Base da Jocum e vieram para Bamako.
VIAGEM DE ONIBUS
Compramos as passagens para sair as 7h e depois de uma hora de atraso saímos. O ônibus estava lotado e os únicos lugares que conseguimos foram bem nos fundos, em cima do motor. Pensavamos que o ônibus era bom, mas a realidade era outra, ele era bem velho, os vidros não abriam, não tinha ventilação, bancos sujos e rasgados e o pior é que todo o calor do motor subia nas nossas pernas. Foram 6 horas difíceis de suportar dentro do ônibus. Em todo tempo lembrávamos-nos de Rm 8:28.
Sentíamos que estávamos numa fornalha acessa e não podíamos nos mover, pois tudo era apertado. Tinha muitos mosquitos, moscas, pessoas sentadas até no corredor, pois venderam passagens além dos lugares e o cheiro dentro do ônibus não era dos melhores. Mas, nos pudemos sentir o Espirito Santo nos dando domínio próprio e tínhamos uma consciência de gratidão em toda aquela prova. As meninas, estavam ali na mesma situação da gente e em nenhum momento murmuraram ou choraram, pelo contrario, estavam pacientes e bem humoradas. Deus é Fiel. A Paula procurava fazer brincadeiras de quem dormir primeiro ganha, pra que elas se distraíssem...Em todo tempo orávamos para não murmurar, e apesar de estarmos ainda no começo da vida aqui, pensávamos nas pessoas que Deus quer resgatar para Cristo neste lugar através da nossa ajuda e isso nos fortalecia e ainda fortalece.
Depois de muito sofrimento chegamos a Bamako e fomos direto para a nossa casa para esperarmos o caminhão chegar com as mudanças.
O CAMINHÃO
Nosso caminhão com a mudança saiu de Koutiala por volta das 14 h para chegar por volta das 22 h e depois deveria esperar ate a meia noite para poder entrar na cidade. Aqui todos os caminhões não podem circular durante o dia, somente depois da meia noite.
Na entrada da cidade tem um Posto de Policia da Alfândega, então eles pediram os papeis do caminhão e disseram ao caminhoneiro que ele não poderia entrar na cidade porque os papeis não estavam corretos. Que ele deveria guardar o caminhão no posto da alfândega e somente na segunda-feira nós deveríamos procurar a alfândega para resolver o assunto.
Quando soubemos desta noticia ficamos perdidos, pois era 1h da manha e nós estávamos esperando os colchões e roupas para dormirmos e trocarmos. Então improvisamos colchonetes com as roupas sujas e dormimos assim mesmo. Pela manha fomos ate uma pousada de missionários para tentarmos um lugar para ficarmos ate que as coisas pudessem ser resolvidas.
Na segunda-feira pela manha fomos à alfândega para tentarmos resolver o assunto. Os policiais nem queriam nos receber e disseram que eu deveria procurar um "mediador" (intermediário) para cuidar disso pra mim. Em todo tempo eu falei a eles que não eram mercadorias para vendas, mas moveis pessoais e mostrava todos os papeis que eu tinha da Embaixada do Brasil, da Policia e da Prefeitura de Burkina e os papeis que havia feito na fronteira, mas eles não queriam ver. Então percebi que eles queriam complicar todas as coisas, pois através do "mediador", eles recebem dinheiro para liberarem os caminhões, mas os mediadores cobram o valor que querem dos caminhoneiros. A alfândega estava lotada de caminhões parados.
Fui falar com o chefe da alfândega que tem poder de liberar os caminhões e ele me tratava muito mal, falava coisas absurdas e me encaminhava para outros departamentos, pois não queria nem falar comigo. Fiquei dois dias atrás dos papeis e tudo voltava neste mesmo homem.
Consegui um intermediário para resolver isso pra mim, mas o chefe da policia queria que fosse outro intermediário. Na conversa entre nós três, o policial ainda me ofendia com palavras e falava que poderia liberar o caminhão em 10 dias. Fiquei desencorajado demais e até chorei pedindo que pudesse rever este assunto. Depois sai do seu escritório e ele ficou falando com o intermediário e finalmente liberou o caminhão, sob as "multas e taxas" exigidas por eles e não pela lei.
Por volta das 16h da terça-feira, depois de pagar muitas coisas na alfândega pelos dias que o caminhão ficou ali e despesas dos oficiais, o caminhão foi liberado. Tive que pagar a um policial da alfândega e ele deveria acompanhar o caminhão ate nossa casa, depois abrir o caminhão e ver os moveis para ter certeza que não eram mercadorias. Acontece que o policial não seguiu o caminhão e depois de uns 500 metros a policia de transito parou o caminhão e pegou os documentos do motorista, pois o caminhão não deveria circular durante o dia. Mesmo explicando todo o problema ao policial, ele nem queria saber do assunto. Ligamos para o policial de alfândega vir nos ajudar, mas ele não veio porque não poderia resolver estes assuntos de transito da cidade.
Depois de quase 3h parado, o policial pediu uma quantia de dinheiro para liberar o caminhão e um policial da guarda nacional veio pegar o caminhão e conduzir ate nossa casa. O intermediário e o policial da alfândega vieram ate nossa casa e ficaram esperando o caminhão chegar com os moveis. Quando estávamos vindo para casa, por volta das 20h, o caminhão estragou e ficamos mais um tempo esperando o motorista arrumar, com isso o intermediário e o policial da alfândega que esperavam na nossa casa foram embora, para retornarem no outro dia e o caminhão não poderia ser aberto sem a presença deles.
Depois de muito sufoco o caminhão chegou ate em frente da nossa casa, mas não podia ser aberto para tirar nossos moveis e ele passou a noite enfrente de casa. Foram 6 dias de negociação. No dia seguinte, às 10h o policial da alfândega veio, abrimos o caminhão e retiramos os moveis. Foi um grande alivio, louvamos ao Senhor varias vezes naquele dia.
Estamos em nossa nova casa, alojados e arrumando as coisas. O nosso carro ficou numa cidadezinha, Koutiala, e teremos que consertar todo o motor e depois trazê-lo ate aqui em Bamako.
Em meio a todos estes problemas, lutas e dificuldades, a passagem de Rm 8:28 é que tem nos dado animo e forças para continuar firmes nos propósitos do Senhor no meio deste povo que carece do conhecimento de Deus.
GRATIDÃO
As despesas que tivemos foram altas, mas queremos louvar ao Senhor que nos abençoou e usou irmãos para ofertar e suprir nossas necessidades nesta mudança de campo. Temos outros desafios pela frente e estamos confiantes de que Deus ira suprir. Alugamos uma boa casa, num bairro onde outros missionários geralmente moram e estamos muito bem instalados.
Obrigado por lerem esta carta, pois tem sido nosso desabafo poder escrever e saber que pessoas que nos amam estão orando por nós. Muito Obrigado.
Ate os confins da terra,
Pr Edinho, Paula, Melissa e Sabrina
Queridos, que jornada!!!!! Mas O nosso Deus, sabe como nos preparar para o Futuro, com certeza Deus tem grandes bençãos preparada pra voces, estamos sempre orando por voces, sintam se abraçados com muito carinho
ResponderExcluirSabe, todos aqui aguardam noticias de voces, como aguardamos de nossos pais ou filhos que estão longe.
Deus os abençoem sempre
Edison Pegoraro
Caro missionário e família, estamos orando por vocês, sabemos que dificuldades existem, mas vocês podem continuar contando com nossas orações, pois esta é a missão de toda a igreja, cuidar daqueles que são enviados aos confins da Terra, que atenderam ao chamado do Senhor Jesus e estão ganhando almas para o Reino de Deus.
ResponderExcluirNão sei se você vai se lembrar da gente pois já faz um certo tempo que estiveram em nossa igreja em São Bernardo do Campo.
Conte com a gente sempre.
Deus abençoe vocês.
Evandro e Ana Paula Leal